
Existem diversos fatores históricos, culturais e econômicos por trás da moeda de um país, atualmente no Brasil a moeda vigente é o Real, mas isso só a partir de 1994, antes disso já tivemos Réis, Cruzeiro, Cruzeiro Novo, Cruzeiro Real e até mesmo o açúcar já foi usado como moeda. No primeiro século existia o escambo, que se consistia na simples troca de mercadorias, com a introdução de mais produtos com diversas funcionalidades e importâncias esse sistema se complicou, então era necessário algo que quantificasse o valor de um produto de forma assertiva.
Em 1614, o governador Constantino Menelau passou a considerar o açúcar como uma moeda, assim como o fumo, algodão e madeira também tiveram essa serventia, mesmo que durante a maior parte do período colonial, a moeda oficial do Brasil fosse o Real, a mesma moeda de Portugal. O material que fazia as moedas vinha da Espanha, que durante os anos de 1580 a 1640 dominava Portugal, e por isso em algumas ocasiões a colônia usava o real hispano-americano, fabricado na Bolívia, então colônia espanhola.
Surpreendentemente, a primeira moeda produzida em solo brasileiro não tinha origem ibérica, em 1624 ocorreram as primeiras invasões holandesas, na costa nordeste brasileira, e em 1645 eles começaram a produção de pequenas moedas quadradas, feitas de ouro e prata, os Florins. Com o desenvolvimento populacional, vários outros locais que fabricavam moedas surgiram, inicialmente no Nordeste, e depois no Sudeste. Com a chegada da família real portuguesa, que veio para o Brasil fugindo de Napoleão, os gastos reais somados com a falta de matéria bruta, forçaram o país a fabricar o dinheiro em papel.
A Coroa enfim voltou a Portugal, levando consigo todo o dinheiro do país, reduzindo as reservas nacionais para 2 mil réis. Dom Pedro I se tornou imperador em uma economia devastada, com a moeda desvalorizando rapidamente, já Dom Pedro II melhorou a economia desenvolvendo o mercado de café, mas ainda assim a desvalorização era tamanha que o país passou a usar o mil-réis como unidade monetária.
Economicamente, o Brasil continuou um desastre durante a república velha, em 1906 a Caixa de Conversão foi criada para combater a crise no mercado do café, em 1911, a moeda brasileira teve a primeira alta no mercado internacional, mas a primeira guerra e a quebra de 1929, acompanhados da crise na produção cafeeira no Brasil, fez o mil-réis despencar novamente. Como forma de tentar conter a crise, o governo criou a Caixa da Estabilização, mas a estratégia de trocar moeda papel por ouro não foi o suficiente, e em 1930 essa medida chegou ao fim.
Durante o Estado Novo, o Brasil começava finalmente a crescer economicamente, com medidas protecionistas, e a abertura da Companhia Siderúrgica Nacional. Em 1942 os mil-réis foram substituídos pelo Cruzeiro, durante a ditadura militar o Cruzeiro novo foi introduzido, e o milagre econômico dos primeiros anos fazia o PIB crescer. Porém em 1979 a moeda perdeu 30% do seu valor, e a dívida externa, que já vinha crescendo desde o período de Juscelino Kubitschek, chegava a níveis alarmantes, até que em 1983 o país informou a seus credores, que não pagaria mais o principal da dívida, e honraria apenas com os juros.
Após a ditadura, o Brasil estava completamente quebrado, o governo Sarney tentou diversas medidas econômicas, passando pelo Cruzado, Cruzado novo e Cruzeiro novamente, mas a inflação crescia a níveis aterrorizantes. O governo Collor continuou com as mesmas medidas, com o Cruzeiro e Cruzeiro Real, mas nesse período a inflação chegava a mais de 2.000% ao ano. Foi no governo Itamar Franco que a Unidade Real de Valor foi instaurada, onde 2.700 Cruzeiros passaram a valer 1 real, e assim a moeda atual do Brasil foi estabelecida. Em 1998, vários países emergentes quebraram financeiramente, mas o Real mostrou estabilidade, associado ao período de crescimento do país, conseguindo se manter.
Através da história, o Brasil passou por diversos acontecimentos que prejudicaram sua economia diretamente, sempre buscando seguir diante as crises, mas o Real vem mostrando, em quase 30 anos, uma estabilidade importante para qualquer país que deseja se desenvolver economicamente.